Neste mês de Maio, recordam-se dois aniversários do escritor, poeta e dramaturgo, Branquinho da Fonseca: o centenário de nascimento (Maio de 1905) e o aniversário da morte (Maio de 1974). Um autor português pouco lido e/ou desconhecido nos nossos dias, mas com obra marcante na literatura e personalidade de referência. Filho de outro grande escritor, político, mestre e pensador da 1ª República, Tomás da Fonseca (1877-1968), Branquinho da Fonseca destacou-se ainda como o organizador e primeiro director do Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas da Fundação Calouste Gulbenkian.
Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, participou em várias iniciativa culturais na "Lusa Atenas", sendo um dos fundadores da revista literária Tríptico, em 1925, dirigida por um grupo de jovens poetas como Vitorino Nemésio, Afonso Duarte, entre outros; e da revista Presença, em 1927, com José Régio e João Gaspar Simões, uma das revistas fundamentais da literatura portuguesa do século XX, considerada promotora do "segundo modernismo" (o primeiro modernismo foi representado pela revista Orpheu, com Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e José de Almada Negreiros).

Branquinho da Fonseca também fundou, com Miguel Torga, a revista Sinal (em 1930), que teve apenas um número publicado; e colaborou em outras publicações periódicas de nomeada, como as revistas Litoral e Manifesto. Da sua obra e bibliografia mais representativa, destacam-se os títulos: Caminhos Magnéticos (conto, 1938), O Barão (novela, 1942), Rio Turvo (conto,1945), Porta de Minerva (romance, 1947), Mar Santo (novela, 1952) e Bandeira Preta (conto, 1956). Outras livros de Branquinho da Fonseca que merecem ser lidos: Contos Tradicionais Portugueses e As Grandes Viagens Portuguesas.
Resta acrescentar neste breve apontamento que, ainda no mês de Maio, mas de 1898, nasceu outro grande escritor, também hoje um tanto ou quanto esquecido, José Maria Ferreira de Castro, que faleceu pouco tempo depois de Branquinho da Fonseca, em Junho de 1974...
Como escreveu, então a propósito da morte destes dois autores, o também poeta e escritor David Mourão-Ferreira: “Em Portugal — disse-o, em tempos, José Rodrigues Migueis — o homem mata o escritor. Tanto Ferreira de Castro como Branquinho da Fonseca, em grande parte, foram morrendo, ou sendo ‘mortos’, como escritores, muito antes de terem morrido. Que os casos de um e de outro sirvam ainda, a quem de direito, para que doravante se evite a repetição — ou a proliferação — de semelhantes ‘atentados’ ou semelhantes ‘suicídios”.

João Godim
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