Passam, neste dia 26 de Fevereiro, 90 anos sobre a morte do poeta português Augusto Gil. Tinha 55 anos. Embora natural do Porto (n. em 1873), cedo foi morar para a Guarda, na Beira interior, uma região que influencia muito a sua obra e sensibilidade poética, num misto de atmosfera sentimental, serenidade profunda e visão satírica da paisagem.

Escreveu vários livros de poesia, é autor de Contos - Gente de Palmo e Meio, e ficou conhecido, especialmente junto do povo, pelo poema que todos já ouvimos em diversos momentos e situações:
BALADA DA NEVE:
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
(...)

João Godim
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