Escritor, professor, tradutor e jornalista, se fosse vivo, Augusto Abelaira celebraria este ano o seu 90.º aniversário natalício. Nasceu em 1926, em Cantanhede, de famílias oriundas da Galiza, e faleceu em 2003. Deixou obra literária significativa, mas, como tantos outros, hoje em dia está esquecido...
Formado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Lisboa, trabalhou pela cultura em vários campos: no Diário Popular, em O Século onde assinou a rubrica “Entrelinhas”, como cronista em O Jornal com um espaço intitulado “Escrever na água” e no Jornal de Letras com a crónica “Ao pé das letras”.
Foi director de programas da RTP (1977-78) e das revistas Vida Mundial (1974-75) e Seara Nova (1968-69); presidente da Associação Portuguesa de Escritores (1978-79).
Cidadão empenhado, participou nos movimentos estudantis de oposição, contra o regime salazarista e chegou a ser preso pela PIDE, em 1965, por ter atribuído, na qualidade de presidente do júri, o Grande Prémio da Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores ao escritor angolano José Luandino Vieira (então preso no Tarrafal) pelo livro "Luanda".
Augusto Abelaira é mais recordado como dramaturgo e romancista. O seu primeiro livro - "A Cidade das Flores", publicado em 1959, retrata a juventude portuguesa depois da II Grande Guerra (1939-45). Em "As Boas Intenções", de 1963, romance distinguido com o Prémio Ricardo Malheiros, traça o perfil da pequena burguesia citadina.
Ainda na lista das suas principais criações literárias, destacam-se o títulos:"Sem Tecto entre Ruínas", que lhe valeu o Prémio Cidade de Lisboa, em 1979; "Deste Modo ou Daquele" e "Outrora Agora", este último livro obteve o Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores.
Augusto Abelaira, jornalista.
"Ainda não há muitos anos, a cultura possuía um poder marcado pela integridade e pelas recusas morais dos autores. Confundiu-se tudo agora…", costumava dizer Augusto Abelaira. "Invulgarmente culto, nunca impôs os formidáveis conhecimentos que possuía, desde a literatura à física, da pintura à música, da filosofia ao cinema e ao teatro”, recorda Baptista Bastos, seu velho amigo.
Enfim, ainda que esquecidos, os verdadeiramente grandes são insuperáveis. Sejamos corajosos em lê-los.
Música > https://www.youtube.com/watch?v=xKnZgDyS38g&feature=related

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS