Caminhe-se para a liberdade
através da liberdade
Neste mês de setembro, quase a terminar, recorda-se uma das figuras mais prestigiadas do pensamento político e cívico português: António Sérgio (n. em setembro de 1883 e m. em 1969). É, sem sombra de dúvida, um dos maiores pensadores portugueses de todos os tempos. Filósofo, pedagogo e historiador, afirmou-se na área do ensino, promoveu a reforma educativa no quadro da Primeira República, fundou o movimento Renascença Portuguesa, de apoio ao regime republicano, dirigiu a revista Seara Nova, e foi um dos principais ideólogos do cooperativismo em Portugal. Escreveu obras originais, com destaque para os oito volumes de Ensaios (1920-1958). Exilou-se em Paris aquando da subida ao poder de Oliveira Salazar e esteve preso várias vezes.

Nasceu em Damão (território da então Índia portuguesa, onde o pai era Governador). Começou por fazer carreira na Marinha, que deixou com a implantação da República, em 1910; foi ministro da Instrução Pública, numa breve passagem pelo poder, entre 1923 e 1924; a sua formação intelectual fez-se em grande parte no estrangeiro, mas também foi muito influenciada pela ação e pensamento de Alexandre Herculano, Oliveira Martins e Antero de Quental, "marcadamente voltada para a reforma das mentalidades, para a compreensão histórico-sociológica de Portugal".
No dizer do seu conceituado biógrafo Joaquim de Montezuma de Carvalho: «A obra espiritual legada por António Sérgio pertence ao selecto número do que urge recordar permanentemente. Não pelo nome, que era o que menos lhe importava. Sim pelo sentido na formação do homem plural, consciente e volitivo, que era o que mais aspirava».
Um dos seus lemas era: «Caminhe-se para a liberdade através da liberdade!»

João Godim
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