Ilustres desconhecidos ou esquecidos é o que não falta na memória actual sobre a História e a Literatura portuguesas. Mas, parafraseando Camões, pelo menos da "morte se vão libertando", como é o caso de Alexandre Cabral (1917-1996), um dos mais reputados especialistas na obra de Camilo Castelo Branco, falecido há 20 anos.
O seu nome verdadeiro era José dos Santos Cabral e a sua vida foi repleta de muita actividade cultural e literária. Em termos de formação académica, Alexandre Cabral começou por frequentar o Instituto Profissional dos Pupilos do Exército, mas a partir dos quinze anos de idade passou a exercer várias profissões e emigrou para ex-Congo Belga (África).
Mais tarde, e já em Portugal, empregou-se numa agência noticiosa, foi delegado de propaganda médica, chefe de escritório, empregado numa agência de publicidade, ao mesmo tempo que frequentava a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se formou em Ciências Histórico-Filosóficas.
A partir de então, dedicou-se denodadamente à obra de Camilo Castelo Branco, a quem dedicou dezenas e dezenas de anos de permanente estudo e investigação, como atestam os vários livros consagrados ao autor do "Amor de Perdição" e "Novelas do Minho", e o importante "Dicionário de Camilo".
Nas suas próprias palavras: "Realmente, Camilo Castelo Branco legou ao País um monumento literário de proporções gigantescas, de valor e mérito incalculáveis.
Legou ainda uma outra coisa, decerto não menos importante, estreitamente vinculada à sua produção literária: o exemplo de um profissionalismo sem mácula, nesse estrito aspecto, que não foi ainda ultrapassado."
Alexandre Cabral colaborou ainda em revistas e jornais, fez parte importantes instituições ligadas à política e à cultura, como a Sociedade Portuguesa de Escritores, a cuja primeira direção pertenceu, presidida por Aquilino Ribeiro.
Traduziu também para a língua portuguesa diversas escritores, como Roger Martin du Gard, Anatole France, Claude Roy, Jaroslav Hasek, entre outros.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS