O compositor e regente Alain Oulman morreu, no dia 29 de março de 1990, aos 61 anos de idade. Era português, embora com identidade francesa (nasceu no Dafundo, arredores de Lisboa, filho de um casal francês radicado em Portugal) e o seu nome está profundamente ligado às principais músicas do fado cantado por Amália Rodrigues.

Segundo informação do Museu do Fado: "O primeiro álbum de trabalho com Amália Rodrigues, o “Busto”, foi editado em 1962, integrando os poemas “Asas Fechadas”, “Cais de Outrora” e “Vagamundo” de Luís Macedo; “Maria Lisboa”, “Madrugada de Alfama”, "Abandono” e “Aves Agoirentas” de David Mourão-Ferreira, todos com música de Alain Oulman.
Outros álbuns se seguiram, revelando musicalmente novas composições de Alain Oulman para poetas como Pedro Homem de Mello, José Régio, Alexandre O’Neill ou Luís de Camões.
A edição do EP “Amália canta Luís de Camões”, em 1965, escandalizou alguns dos meios tradicionais do Fado, e essa abordagem à poesia de Camões foi inclusive tema de polémica nos jornais da época".
A par da sua sensibilidade para as artes, a música e a literatura, Alain Oulman também dedicou-se à defesa dos direitos cívicos, tendo sido preso pela PIDE em 1966, acusado de pertencer à Frente de "Ação Popular – movimento clandestino de extrema-esquerda"; e mais tarde obrigado a exilar-se, primeiro em Londres e depois em Paris, onde fundou uma editora e passou a traduzir vários autores portugueses, tendo ainda convencido o político Mário Soares (então no exílio em França) a publicar o livro "Portugal Amordaçado".

João Godim
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