Neste dia 13 de Fevereiro, lembramos o inesquecível Professor e pensador Agostinho da Silva (1906-1994). Nascido nesta data, no Porto, foi mais do que um cidadão português, foi um sábio universal, de matriz clássica e renascentista, com vontade de tudo fazer em prol da cultura e da felicidade do ser humano através da arte.
Foi um verdadeiro filósofo do nosso tempo que discursou, escreveu, pesquisou e traduziu o que de mais importante existe no mundo e na sociedade em geral. Pelo seu percurso formativo e académico vê-se que construiu uma personalidade humana e intelectual muito sólida: licenciou-se em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde teve como professores o grande filósofo Leonardo Coimbra e Teixeira Rego, um dos pensadores da saudade;
Dutorou-se na Sorbonne com uma tese sobre Montaigne e em Paris conviveu com António Sérgio, Jaime Cortesão e Raul Proença, então exilados por força do regime salazarista; deu aulas no ensino público oficial, mas também foi demitido pelas suas ideais e acusado de pertencer a associações secretas; colaborou em importantes jornais e revistas da época; chegou a ser preso pela Polícia Política - a PIDE e, nesta sequência, optou pelo exílio em vários países - Uruguai, Argentina, Estados Unidos, Brasil, e outros Continentes - África, Ásia.
No Brasil, onde viveu 25 anos, fundou quatro universidades, criou centros de estudo superior, ensinou matérias ligadas às Letras e às ciências, foi próximo dos presidentes Jânios Quadros e Juscelino de Oliveira, e naturalizou-se brasileiro em 1958.
O regresso a Portugal deu-se em 1969 e depois do 25 de Abril de 1974 foi "descoberto", e aclamado, pelas novas gerações como um dos pensadores mais originais da língua portuguesa. Morreu aos 88 anos de idade, mas a sua vida e obra permanecem actuais. A recordação do dia do seu nascimento é apenas uma oportunidade para se revisitar e reler o que nos deixou de forma intemporal.
> "Não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida; sou do paradoxo que a contém no total" (Agostinho da Silva)

João Godim
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