A batalha de La Lys, na I Grande Guerra Mundial (1914-18), foi considerada a maior derrota portuguesa desde Alcácer Quibir, com o Corpo Expedicionário Português (CEP) a ser destroçado em França pelos bombardeamentos do exército alemão, um ataque em massa que,ainda assim, ofereceu grande resistência por parte dos soldados portugueses, em que se destacou a bravura do soldado Aníbal Augusto Milhais (1895-1970).
Foi em Abril de 1918, durante a Batalha de La Lys (Flandres), que os seus dotes de combatente valeram-lhe a mais alta condecoração militar nacional, a Ordem de Torre e Espada. Milhais acabou por ficar conhecido como o "soldado Milhões", através do elogio do seu comandante, Ferreira do Amaral, que lhe disse: "Tu és Milhais, mas vales milhões".
Quanto aos mortes e feridos, há várias versões, mas de acordo com especialistas na matéria a Batalha de La Lys, há 101 anos, fez cerca de 400 mortos e 6.600 prisioneiros entre as tropas portuguesas. A linha da frente foi comandada por Gomes da Costa que, no seu relatório sobre a batalha, citado pelo historiador Filipe Ribeiro de Meneses na obra “De Lisboa a La Lys”, lembra que tinha recebido a ordem para abandonar as trincheiras de 9 para 10 de Abril.
Por seu vez, fontes britânicas acusam “desertores portugueses, soldados portugueses que fogem e que contam tudo aos alemães para receberem um jantar ou serem bem tratados”, afirmou. Regra geral, os britânicos “culpam os portugueses pelas dificuldades encontradas durante a batalha”.
No seu diário, o comandante inglês Douglas Haig escreveu que “os homens recuaram, ou, mais precisamente, ‘fugiram'”. Ribeiro de Meneses concluiu: “de facto, os testemunhos britânicos da acção portuguesa durante o 9 de Abril não se coadunam com o tom heróico do relatório de Gomes da Costa”.
O comandante das tropas expedicionárias portuguesas em La Lys, general Gomes da Costa (1863-1929) destacou-se ainda como político, assumindo a chefia do Estado após o golpe militar no dia 28 de Maio de 1926. Todavia, será uma curta experiência.
Cerca de um mês sobre a sua tomada posse, é demitido, preso e exilado. Substituído por Óscar Carmona, "seria evocado pelo novo regime ditatorial como o líder militar que pôs termo à I República."

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS