A notícia não devia causar surpresa, mas contam-se ainda pelos dedos as mulheres que são distinguidas com prémios de nomeada em diversos campos do conhecimento e da ciência humana. De vez em quando, relata-se um acontecimento de atribuição justa, meritória, e disso se faz eco de todo um trabalho feminino, notável, feito em inúmeros bastidores e laboratórios, e por muitas mulheres.
O exemplo mais recente é o Prémio atribuído pela Academia Norueguesa de Ciências e Letras a Karen Keskulla Uhlenbeck, uma especialista em equações matemáticas e que desde criança sonhava ser cientista. Pela primeira vez o galardão, equivalente ao "Nobel" da Matemática, foi conquistado por uma mulher. Keskulla Uhlenbeck é natural dos EUA, tem 76 anos de idade e é professora emérita da universidade do Texas.
O Prémio será entregue pelo rei Haroldo V da Noruega, no próximo dia 21 de Maio, em Oslo.Nas motivações do reconhecimento, conferido pelas suas teorias sobre a análise geométrica, são elogiadas as ideias que «revolucionaram a compreensão das superfícies mínimas (como as formadas pelas bolas de sabão) e dos problemas de minimização sobre grandes dimensões».

Karen Keskulla Uhlenbeck
«Ela fez coisas que ninguém alguma vez pensou que pudessem ser feitas», afirmou, citada pelo “New York Times”, Sun-Yung Alice Chang, professora de matemática da universidade de Princeton e um dos cinco membros do júri do prémio, no âmbito da Academia das Ciências e das Letras norueguesa.
Os alunos recordam que Uhlenbeck os estimulou sempre a ir ao fundo das coisas e a não se satisfazerem com o «visível», porque – gostava de repetir – o universo é «ocioso» e não é ele a tomar a iniciativa de desvelar os seus segredos. É ao cientista, no sentido geral do termo, que cabe a tarefa, ou melhor, a missão, de indagar os mistérios do cosmos nas suas diversas e dinâmicas e diferentes acepções.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS