Quantas vezes a política não é mais do que um carnaval? Vista à luz dos factos, a política é um carnaval e dura mais do que três dias. Os políticos desfilam todo o ano, usam a máscara para cada ocasião, vestem trajes chimpanon e, não raros, entram pela escuridão metafórica das folias e das orgias. É uma alegria…
Não imagino o mundo sem estes políticos modernos, sabichões, nascidos numa democracia que continua imberbe. Como não admirar Donald Trump. Vladimir Putin, Kim Jong-un, Nicolás Maduro e Marcelo Rebelo de Sousa. O mundo gira à volta destas estrelas. Álvaro Cunhal, Mário Soares e Sá Carneiro, entre outros que tiraram Portugal da ditadura, foram gigantes figurinhas ao pé dos cabeçudos da actualidade. Oliveira Salazar e Marcello Caetano, traz, traz, traz, até Dom Afonso Henriques, não fogem à regra.
Mais do que o Portugal grande, gosto do Portugal pequeno, das aldeias e vilas, das ilhas e das comunidades partilhadas. Dói ver terreiros ao abandono, plantas secas e árvores desprezadas, casas e casebres sem vive-alma, onde dantes tudo florescia hoje apenas vemos ervas daninas. O país será sempre o espelho dos que nele habitam, dos que governam e dos que tomam o poder e fazem opções. Na certeza que não há política sem Carnaval, as máscaras é que vão mudando.
Pior que as máscaras inofensivas é ver este nosso Portugal fruto dos políticos sem formação política, produtos de uma democracia fingidora e apoderada por partidos confusos e birrentos. Um país pobre, atrasado em relação à Europa mais evoluída, mas a esbanjar milhões e milhões de euros sem proveito e a ter no seu seio milhões de portugueses com parcos tostões. É contra esta mascarada que estamos posicionados. Para todos: apitadelas, buzinadelas e aplausos ensurdecedores, sem tarjas e com palavras de ordem. Haja espírito carnavalesco. Ressalvas, poucas!

João Godim
FREELANCER
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