Fez, ontem, 32 anos que se inaugurou o edifício sede da Caixa Económica do Funchal (CEF), sito à Rua de João Tavira, na capital madeirense. O 3 de Maio de 1983 marcou um virar de página na actividade financeira da região e do país. Sem as mais valias da CEF, o Banco Internacional do Funchal (Banif, criado a 15 de Janeiro de 1988) jamais teria alcançado o patamar a que chegou.
A Madeira, com uma população residente da ordem dos 260 mil e com cerca de 1,5 milhões de emigrantes, esteve durante anos posicionada como o terceiro centro financeiro do país. Facto que confirma as instituições financeiras que ao longo dos anos foram sendo criadas no arquipélago e com sólidos dividendos: Banco Henriques Figueira; Banco da Madeira, Banco Blandy, Banco Intercontinental do Funchal, mais Casas de Câmbios e pequenas instituições mutualistas. Uma razão de existir, uma inexplicável razão para a extinção! Em todas havia “excesso de liquidez”.
Sede social do Banif, primeiramente sede da CEF.
A última investida foi sobre a Caixa Económica do Funchal. Em 1976, o volume de depósitos da CEF era de 2,5 milhões de euros (500 mil contos), em Maio de 1983 já era de 215 milhões de euros (43 milhões de contos). Era a instituição financeira que mais crescia em Portugal e “no âmbito das Caixa Económicas europeias das mais sólidas e das mais modernas do continente europeu”, frisou Jean Marie Pesant, presidente das Caixas Económicas da Europa. Assim sendo, porque não continuou a CEF a ser detida maioritariamente por madeirenses?
A concorrência bancária quando entra pelos corredores do poder político e financeiro é devastadora. Caso recente com o BES é bem exemplificativo. Quando a CEF estava no auge da sua dinâmica bancária, o Banco de Portugal entende alterar plafonds, impondo rácios para as operações passivas / operações activas. Em 1983, a CEF era o maior “banco” na Madeira, apresentava um excesso de liquidez (excesso de dinheiro) contra a queda acentuada da banca nacional que operava na região. A CEF tinha bases sólidas e estava a ser o pilar da economia madeirense. A inauguração da nova sede da CEF, no Funchal, foi um marco histórico para a Madeira mas que, ao mesmo tempo, veio revelar desinteligências e pôr a nu dissensões amorfas. Uma conclusão parece ser irrefutável: sem a CEF não haveria Banif!

João Godim
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