Neste ano de 2019, encerram-se as celebrações oficiais dos 600 anos da Madeira e do Porto Santo, efeméride histórica que se tem assinado com muitos eventos culturas e algumas iniciativas espectaculares, mas com pouco brilho quanto à memória de marcos importantes e personalidades que deixaram obra em séculos passados.
A par do que tem sido feito, com "pompa e circunstância" e a presença indispensável de várias autoridades/governantes, e assessores de toda a espécie, nota-se a ausência dos verdadeiros especialistas, historiadores de pleno direito, como se não fosse interessante relevar a História, nos diferentes contextos, objectivos e ambições.
> Alberto João Jardim
Além disso, nem se pensa sequer em reeditar livros de autores madeirenses, há muito esgotados, e cuja temática merecia ser mais difundida. Nesta situação, por exemplo, encontra-se Eduardo Fernandes Nunes (1909-1957). Natural de São Roque, Funchal, foi jornalista e novelista.
Colaborou em vários jornais que também tiveram muito mérito, como: O Diário da Madeira, O Eco do Funchal, O Fixe, O Comércio do Funchal...; foi correspondente de jornais nacionais: O Primeiro de Janeiro, O Século...; dirigiu O Jornal de Anúncios e publicou o número único do magazine ilustrado Instante; autor de novelas (publicadas inicialmente no Diário da Madeira), que merecem sair do esquecimento: O Doido do Violino, E a Vida Mudou, O Brasileiro, Novela de Amor...; outras obras publicadas: Porque me Orgulho de Ser Madeirense (1951) e A Virgem de Fátima na Madeira, reportagem (1948).
Seria pedir muito que se publicassem estes autores de outros tempos, em referência, pelo menos; ao último século? É que, dificilmente, estaremos cá daqui a 100 anos, para celebrar o 7.º centenário da "descoberta" da Madeira e do Porto Santo.

João Godim
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