Rui Rio canta o Hino da Independência
Rui Rio foi ao planalto do Chão da Lagoa, bebeu a famosa poncha da Madeira feita com o “caralhinho”, andou como um desconhecido no meio da multidão, ouvi os crónicos e virulentos discursos contra a República e, por fim, teve que ouvir o hino “Madeira Livre” apelativo à independência.
Às claras, o PSD há muito que esboça o pedido à autodeterminação do Arquipélago da Madeira, ante uma multidão que parece embriagada pelo sumo da poncha adocicada feita com aguardente de cana-de-açúcar, limão e mais uns pequenos segredos. Rui Rio ouviu e também timidamente cantou! Na ilha mandam os ilhéus.

Cantar o Hino da Independência da Madeira na cara de um líder nacional do PSD, partido com presenças regulares na governação de Portugal, é como ouvir os líderes africanos a cantar os Hinos da Guiné, Angola, Moçambique e de outros territórios na altura sob a bandeira portuguesa. Eram presos, mandados para o Tarrafal. “Madeira és livre e livre serás…” é um claro apelo ao desapego do poder português que há 600 anos aqui se instalou. O que acontece, interrogam os independentistas, zero!
Rui Rio, em silêncio, fez o sorriso fabricado. Madeira é uma “Terra Livre” está “fora da enclausura” dizia empolgado Miguel Albuquerque, presidente do governo que não faz esquecer Alberto João Jardim, insistindo no “abaixo os colonialistas”. A Festa do Chão da Lagoa do PSD mantém a matriz ostensiva contra Portugal, como se todo o mal na Ilha fosse por culpa dos governos republicanos portugueses.

E o povo sem saber bem o porquê destes desaforos vota no PSD desde as primeiras eleições democráticas, vai para 45 anos sucessivos. Uma democracia já gasta que se confunde, muito de perto, com a ditadura. Maiorias absolutas durante muitos anos em nada se distinguem dos regimes ditatoriais, do mando e posso.

João Godim
FREELANCER
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