A longevidade na população japonesa depende mais dos hábitos e condições de vida do que a genética, dizem os estudiosos e investigadores internacionais. Os centenários passaram a ser frequentes e, nos últimos 65 anos, a expectativa de vida aumentou em 30 anos no Japão. A maior parte deles está em Okinawa, ilha ao sul do país.
Nesta ilha, os idosos consomem 25% dos níveis do sal e açúcar que costumam ser ingeridos no restante do país. Também comem duas vezes mais peixe, três vezes mais vegetais, mais cereais, mais fruta do que os restantes nipónicos.
Claro que nem tudo são rosas e há os pobres que pouco ou nada têm que comer, mas exercitam-se ao ar livre, fazem jardinagem e tudo fazem por sentir-se alegres, optimistas, sabendo enfrentar as desgraças ou agruras da existência.
Sabe-se que no Japão trabalha-se muito e o tempo para descansar é escasso, incluíndo as férias anuais que são apenas de uma semana.
É uma questão de hábito, mas vendo bem, a receita poderá aplicar-se a toda a gente, pois, tudo resulta do que se come, do modo como somos, vivemos e agimos perante condicionalismos e dificuldades. Na Europa, por exemplo, segundo estatísticas recentes, vive-se em média entre os 81 e 87 anos.
Agora, também em questões de longevidade, não se pode esquecer o povo Hunza, que vive nas montanhas dos Himalaias, no norte da Índia, nas proximidades de Caxemira, Índia e Paquistão. Este povo local foi "descoberto", em 1916, por exploradores ingleses que faziam, nessa altura, a actualização do mapeamento da região.
A descoberta causou tamanho espanto que o pequenino território passou a chamar-se de “Jardim do Éden” ou "Paraíso na terra"; e os seus habitantes ficaram conhecidos como "um povo feliz, simpático, sempre alegre e activo, em que diversas pessoas viviam tranquilamente com mais de 110 anos de idade — alguns até mais de 120, sem doenças graves ou problemas sérios de saúde".
É evidente que muita coisa já aconteceu desde 1916 até hoje, muitos costumes mudaram, em termos de administração do território e de influências do exterior, mas as raízes tradicionais e os hábitos ancestrais dos Hunza permanecem no essencial e distinguem-se dos demais.
Saber viver é uma tarefa exigente para cada um e a velha máxima "alma sã em corpo são" continua actual, resta escolher ou reunir os melhores hábitos e condições para tal.

João Godim
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