
Feira do Livro nos jardins do Palácio de Belém.
Fernando Namora, este a título póstumo, e o editor Zeferino Coelho foram distinguidos pelo Presidente da República, em Lisboa, durante a 4.ª edição da Festa do Livro no Palácio de Belém, uma iniciativa acarinhada por Marcelo Rebelo de Sousa para promover o livro e a leitura.
Os escritores condecorados foram: Mário Cláudio, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique; Fernando Namora ( a título póstumo), com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade; e o ensaísta e crítico literário Eugénio Lisboa, autor de prosa e poesia, especialista na obra de José Régio e antigo presidente da Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), com a Ordem Militar de Sant’Iago de Espada.
Na área editorial, o Presidente da República distinguiu Zeferino Coelho com a Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique; e o antigo presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) João Amaral.
Breve biografia dos homenageados:
> Mário Cláudio é o pseudónimo literário de Rui Manuel Pinto Barbot Costa, nascido há 77 anos, no Porto, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, onde se licenciou também como bibliotecário-arquivista, e detém o 'Master of Arts' em Biblioteconomia e Ciências Documentais pela Universidade de Londres. A sua estreia literária deu-se em 1969, como poeta, com a obra “Ciclo de Cypris”.
Ao longo da carreira tem sido distinguido com diversos galardões. Da sua bibliografia fazem parte títulos como “Guilhermina” (1986), “A Quinta das Virtudes” (1991), “Tocata para Dois Clarins” (1992), “Peregrinação de Barnabé das Índias” (1998), “Ursamaior” (2000) e “Triunfo do Amor Português” (2004), entre muitos outros títulos versando também a poesia, o ensaio e o teatro.
> Zeferino Coelho assinala este ano 50 anos de carreira. O histórico editor da Caminho, para onde entrou em 1977, começou a carreira logo após terminar o curso de Filosofia, na Universidade do Porto. Em 1979, Zeferino Coelho tornou-se no primeiro editor de José Saramago, na Caminho, publicando uma peça de teatro, mas foi no ano seguinte, com “Levantado do Chão”, que teve a certeza de que tinha em mãos “algo em grande”.
Para este editor e autor, este foi o ponto de partida para uma parceria editorial de quatro décadas e uma amizade que perdurou até ao fim da vida de José Saramago, que morreu em 2010. Ao longo da carreira, Zeferino Coelho editou também, entre outros, Sophia de Mello Breyner Andresen, Mário de Carvalho, Mia Couto e Luandino Vieira.

> Fernando Namora nasceu há cem anos e, além de escritor, foi também ilustrador e era formado em Medicina pela Universidade de Coimbra, mas cedo abandonou a prática médica. Tornou-se escritor ainda muito jovem e versou todos os géneros literários, desde o ensaio ao conto, passando pela poesia, romance, crónica e registo memorialista, tendo publicado centenas de títulos, muitos reeditados e traduzidos em diversos idiomas.
Autor de um romance autobiográfico da geração coimbrã a que pertenceu, “Fogo na Noite Escura”, em 1943, Fernando Namora publicou em 1938 o primeiro livro, “As Sete Partidas do Mundo”, que lhe valeu o Prémio Almeida Garrett. Seguiram-se títulos como “Casa da Malta”, “Minas de San Francisco”, “A Noite e a Madrugada”, “O Trigo e o Joio”, “O Homem Disfarçado”, “Cidade Solitária”, “Domingo à Tarde” e “O Rio Triste”.
Algumas das suas obras foram adaptadas ao cinema e à televisão, nas décadas de 1960 e de 1980, como "Retalhos da Vida de Um Médico" e "Domingo à Tarde".

João Godim
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