Morreu há poucos dias, em Budapeste, o escritor húngaro Gyorgy Konrad, aos 86 anos de idade. Na fosse a sua emblemática obra de ficção, a sua identidade de cidadão e a sua voz de oposição durante o domínio de Moscovo no Bloco de Leste ficariam sepultadas no "vale dos esquecidos" e seriam ignoradas pela maioria que clama mais respeito e a liberdade democática.
Sobrevivente do Holocausto, durante a ocupação nazi da Hungria, na II Guerra Mundial, combatente pela democracia durante os anos de domínio comunista, controlado por Moscovo, opositor do Governo de direita de Viktor Orban, no poder desde 2010, Konrad foi um dos escritores húngaros mais traduzidos e premiados internacionalmente.

Konrad foi autor de importantes obras de ficção e de ensaios de referência, que até ao momento ainda não foram publicados em Portugal. Durante os anos de domínio soviético, os seus livros estiveram proibidos na Hungria. Foi membro da oposição democrática e várias vezes preso pelas autoridades da ditadura.
A partir de 1989, durante a transição para a democracia, com a "Perestroika" e a abertura de fronteiras a Ocidente, foi um dos promotores da aliança para a democracia, sendo considerado, como escreve a agência espanhola Efe, um dos intelectuais mais influentes dos primeiros anos de liberdade.
Entre 1997 e 2003, Konrad dirigiu a Academia das Artes de Berlim, depois de já ter presidido o Pen Club Internacional (1990-1993), promovendo a aproximação de instituições culturais de Leste e do Ocidente, após a queda do Muro de Berlim.
Foi distinguido com a Medalha Goethe e o Prémio Carlos Magno, na Alemanha, com o prémio Manès-Sperber, na Áustria, e o Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon, além de ter recebido os principais prémios no país de origem.

João Godim
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