A escritora francesa Maryse Condé foi distinguida com o Prémio de Literatura (em 2018) da Nova Academia, em alternativa ao Prémio Nobel da Literatura que foi adiado este ano por razões internas, relacionadas com alguns membros do júri.

Maryse Condé, nascida em Guadalupe, em 1937, feminista e ativista, vive nos Estados Unidos e é considerada uma das autoras mais destacadas das Caraíbas, tendo escrito cerca de 20 romances e recebido vários prémios de prestígio.
Conhecida como uma das mais importantes difusoras da cultura africana nas Caraíbas, Maryse Condé descreveu como o colonialismo mudou o mundo e como os que são afetados retomam a sua herança.
> "Nas suas obras, com uma linguagem precisa", Maryse Condé "descreve os danos do colonialismo e o caos do pós-colonialismo", afirmou a Nova Academia, no anúncio realizado na Biblioteca Pública de Estocolmo. “Desirada”, “Segu”, “Crossing the Mangrove” e “Who Slashed Celanire's Throat?” são algumas das obras que escreveu, sem qualquer edição em Portugal.

O prémio alternativo ao Nobel, no valor de um milhão de coroas suecas (cerca de 96.000 euros), foi atribuído pela Nova Academia, organização fundada este ano por várias figuras culturais suecas, entre as quais jornalistas e autores, como forma de protesto ao cancelamento do Prémio Nobel por parte da Academia.
A cerimónia para entrega do prémio à escritora laureada está marcada para o próximo dia 9 de Dezembro. Recorde-se que a Academia Sueca decidiu não atribuir o Nobel da Literatura na sequência de um escândalo de abuso sexual e de crimes financeiros, que rebentou no final do ano passado, com denúncias de 18 mulheres a um diário sueco. O homem no centro do escândalo, o artista Jean-Claude Arnault, foi condenado no início deste mês a dois anos de prisão por violação.
Jean-Claude Arnault, casado com a académica e poeta Katarina Frostenson, membro do comité que decidia a atribuição do Nobel da Literatura, foi acusado de dois episódios de violação cometidos em 2011.

Apurou-se também que a confidencialidade sobre o vencedor do Nobel foi violada várias vezes. Pressionados pela Fundação Nobel, a Academia Sueca lançou várias reformas e a decisão mais controversa foi a de adiar a atribuição do Prémio Nobel de Literatura, este ano, pela primeira vez em sete décadas.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS