Exercício da escrita e da diplomacia
É um dos raros diplomatas que assume também o ofício da escrita com elevada mestria. Falamos de Paulo Castilho (n.1944) que, no conjunto da chamada literatura sénior, já granjeou a fama merecida, tanto da parte dos seus leitores, como dos críticos literários. Filho do também diplomata e ensaísta Guilherme de Castilho (1912-1987), muito dedicado à obra de Raul Brandão e António Nobre, bem como da escritora Marta de Lima, Paulo Castilho fez estudos primários e secundários na África do Sul, Hong Kong, Macau e Lisboa.
Licenciado em Direito e diplomata de carreira, ocupou postos em Washington e Londres, foi director-geral das Comunidades Europeias, embaixador de Portugal na Suécia, no Conselho da Europa e na Irlanda.
A estreia como escritor deu-se com o livro “O Outro Lado do Espelho”, na década de 80, tendo então recebido o Prémio Literário Diário de Notícias. Em 1989, com o romance “Fora de Horas” revelou-se como uma das vozes mais singulares da ficção portuguesa na actualidade, o que foi reconhecido pelos mais importantes prémios literários - Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores, Prémio do PEN Club Português, Prémio Eça de Queirós (também escritor diplomata de grande competência intelectual, viveu entre 1845 - 1900) e Prémio Fernando Namora (1919-1989).
Outros títulos de Paulo Castilho: “ Público, Letra e Música”, “O Sonho Português, Sinais Exteriores”... Tudo, romances e novelas, num estilo acessível, quase coloquial, com preferência por assuntos e personagens que interessam a toda a gente e que denunciam situações muito concretas, reais, passadas no nosso meio e ambiente, a confirmar o acompanhamento e a atenção permanente do autor em relação ao acontece especialmente no mundo português.
Paulo Castilho "usa a técnica da alternância de pontos de vista na observação desapaixonada mas exacta do comportamento humano – por exemplo, a capacidade para retratar o universo feminino - e da realidade quotidiana, com recurso à frase curta" é uma das suas qualidades estilísticas.
Na opinião de Seixas da Costa (n. 1948, também diplomata e docente univwersitário): "Há hoje muito poucos diplomatas que se dedicam à escrita de ficção. Além dele (Paulo Castilho), apenas Marcello Mathias e Luís Filipe Castro Mendes publicam obras com alguma regularidade. Mas todos, sem exceção, com elevada qualidade, como a crítica sempre reconhece. O que é, "corporativamente", uma constatação muito agradável."

João Godim
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