Os escritores são seres de liberdade
e de libertação dos outros
Nome incontornável da actual literatura, Lídia Jorge é considerada como uma das mais ilustres referências da ficção portuguesa, na esteira de Agustina Bessa-Luís. Como romancista tem-se revelado prodigiosa quanto a temas que exprimem a tradição oral, quadros alegóricos e mitos sociais que relatam pertinentes realidades do nosso país.
Entre as suas obras principais destacam-se: O Dia dos Prodígios (1979), O Cais das Merendas (1982); A Costa dos Murmúrios (1988), livro sobre a experiência da guerra colonial em África, adaptado ao cinema; O Vale da Paixão (1998); O Vento Assobiando nas Gruas (2002), no qual a autora aborda a relação entre uma mulher e um homem africano perante uma sociedade de contrastes, distinguido com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, em 2003. Os mais recentes títulos são: Os Memoráveis (2014), sobre a Revolução de 1974, e O Organista (2014),"uma prodigiosa fábula sobre a criação do Universo e a relação dos homens com Deus".
Os temas abordados por Lídia Jorge correspondem a muitas das suas vivências passados em vários lugares. Nascida em Boliqueime, Algarve (18 Junho de 1946), formou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa e foi professora do ensino secundário em Angola e Moçambique, antes de se fixar em Lisboa.
Está traduzida em diversas línguas e, em 2013, foi considerada uma das “10 grandes vozes da literatura estrangeira” pela revista francesa Magazine Littéraire, juntamente com a britânica Zadie Smith, do norte-americano Richard Powers, do Nobel chinês Mo Yan, da canadiana e também Nobel, Alice Munro, do Nobel turco Orhan Pamuk, da norte-americana Laura Kasischke, do espanhol Enrique Vila-Matas, do norte-americano John Irving e do islandês Arnaldur Indridason.
A escritora já recebeu, entre outros, o Prémio Dom Dinis, o Prémio PEN Clube, o Prémio Jean Monet de Literatura Europeia... Em Novembro, de 2014, foi distinguida, por unanimidade, com o Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura atribuído pelo Ministério da Cultura de Espanha e pela Secretaria de Estado da Cultura de Portugal, e, já este ano, recebeu o Prémio Vergílio Ferreira atribuído pela Universidade de Évora.
Para Lídia Jorge: «A escrita é redentora. A escrita faz com que o autor, independentemente do reconhecimento, tenha uma história de vida magnífica. (...) A literatura dir-se-ia um permanente treino da alteridade. Os escritores são seres de liberdade e de libertação dos outros.»

João Godim
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