A igualdade de direitos conquista-se com ambição, lucidez e resiliência. A sorte e o azar não são determinações da natureza, não se ganha ou se perde por força do destino, nada na vida acontece porque tem que acontecer, queremos, então vamos à luta, lutemos e lá chegaremos. Foram estas as máximas que motivaram as mulheres islandesas para a igualdade de direitos, em 1975.
No mesmo ano em que Portugal ensaiava os primeiros governos livres no dealbar da democracia instituída um ano antes. “As mulheres islandesas entraram em greve – recusaram-se a trabalhar, cozinhar e cuidar das crianças por um dia. O momento mudou a forma como as mulheres eram vistas no país e ajudou a colocar a Islândia na vanguarda da luta pela igualdade”, relatos dos acontecimentos da altura.

Passados cinco anos da primeira greve, em 1980, Vigdis Finnbogadottir, "uma mãe solteira, divorciada, conquistava a Presidência do país, tornando-se a primeira mulher presidente da Europa, e a primeira mulher no mundo a ser eleita democraticamente como chefe de Estado." Isto num pais com pouco mais de 220 mil habitantes (menos população do que as ilhas da Madeira e dos Açores, cada qual com mais de 260 mil habitantes) e que regista um dos melhores índices de qualidade de vida.

João Godim
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