A 8 de Maio de 1945, a Europa começava a viver o seu primeiro dia de paz, com a rendição da Alemanha nazi e a declaração do final da II Guerra Mundial no Velho Continente. Em Portugal, nesta mesma data, o então presidente do Conselho, António Oliveira Salazar, comentava "O Fim da Guerra" na Assembleia Nacional, enquanto que algumas personalidades de relevo cívico e político, ligadas à Oposição, como António Sérgio, começavam também a procurar apoios junto das potências aliadas, alertando-as para a necessidade de pôr termo à ditadura do Estado Novo: certas forças, como a União Patriótica e Democrática Portuguesa, dirigiram-se às autoridades inglesas e o Grande Oriente Lusitano Unido (instituição maçónica) solicitou a intervenção do presidente norte-americano Harry Truman.
São situações que a História não esquece, apesar da memória ser curta, com diz o ditado popular e que, ainda hoje, voltam a estar na linha da frente, mercê de outros poderes e intenções, como a política e a vivência da democracia. Como dizia o primeiro-ministro inglês e um dos líderes principais/vencedores da II Guerra Mundial, Churchill (1874-1965): "A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes."
Para Salazar (1889-1970), a herança do passado, com guerra ou paz, tem um único sentido (a ditadura), pois: "Somos um país pequeno, com problemas sérios, e não podemos aderir a frentes débeis, só com o fim de proclamar que - brincamos às democracias."
A paz eterna é um ideal que se procura e persegue com todas as forças, porque, com bem escreveu o nosso Nobel da literatura (1998), José Saramago: "É mais fácil mobilizar os homens para a guerra que para a paz. Ao longo da história, a Humanidade sempre foi levada a considerar a guerra como o meio mais eficaz de resolução de conflitos e sempre os que governaram se serviram dos breves intervalos de paz para a preparação das guerras futuras. Mas foi sempre, em nome da paz, que todas as guerras foram declaradas”. Haja paz!

João Godim
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