Figura marcante da cultura portuguesa nas últimas décadas, Vasco Graça Moura morreu há um ano (1942-27 de Abril de 2014). Escritor, poeta e tradutor português, desempenhou vários cargos públicos, foi presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e do Centro Cultural de Belém, entre outras instituições. Com vasta obra publicada, tanto no ensaio, como na poesia e no romance, é ainda autor de diversas e importantes traduções, de muitos autores, quer em prosa ou poesia. Adaptou os Lusíadas para os mais jovens e combateu com extrema clarividência o "Novo acordo ortográfico".
Conferencista muito solicitado foi ainda comentador político e eurodeputado durante dez anos. A sua pessoa e obra incomparável continuam presentes na memória de muitos; lembramos a sua partida como um incentivo para se procurar bem e saborear as boas coisas e causas culturais da realidade portuguesa e universal. Lembramos um dos seus poemas mais comoventes:
quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.
quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não
tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

João Godim
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