O tempo do Verão é sugestivo para pôr as leituras em dia, adquirir outros saberes, conhecimentos, ou fazer descobertas literárias. Nesta oportunidade, salientamos algumas obras, recentes ou do passado distante, que nos oferecem interesse quanto baste para umas férias bem vividos:

- "Viagens na Minha Terra", de Almeida Garrett (1799-1854), um clássico que se traduz no relato de uma viagem de Lisboa a Santarém. Muito mais do que uma crónica de viagem, é sobretudo uma reflexão sobre Portugal do século XIX e um marco na literatura portuguesa. Publicada em 1846 a obra aborda a jornada a Santarém em diferentes planos e, por isso, Garrett chamou-lhe “Viagens” e não “Viagem”. Além do percurso, o escritor narra de uma forma extraordinária e cativante a história de quatro personagens que são o próprio retrato do país então dividido por uma guerra civil.
- "21 Personalidades dos Séculos XX-XXI escolhem as Vinte e Uma Personalidades Portuguesas do Milénio". O título é extenso, dada a colaboração e variedade de autores que constam deste livro coordenado pelo editor José da Cruz Santos e com prefácio de António Ramalho Eanes. Trata-se de revisitar a História de Portugal convocando algumas das suas figuras mais notórias através do olhar de outras tantas personalidades do tempo atual. Por exemplo, José Mattoso fala de Afonso Henriques, Carlos do Carmo de José Saramago, Eduardo Lourenço do Infante D. Henrique... .
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- "Francisco, O Grande Reformador", uma biografia completa do Papa atual que é também um "trabalho detalhado e aprofundado que explora a interseção da fé com a política, focando-se na tensão entre a visão inovadora do Papa para a Igreja e os obstáculos que enfrenta numa instituição ainda marcadamente definida pelo seu passado conservador."
O autor, Austen Ivereigh, escritor e jornalista especializado em assuntos políticos e religiosos, apresenta a história de Jorge Bergoglio — o homem notável cuja formação intelectual e compromisso que assumiu de avaliar a vontade de Deus o levariam a ser eleito Papa Francisco —, detalhando ainda como e por que razões a Igreja o escolheu como seu líder.

- "Nova História Económica da Madeira", do historiador Alberto Vieira. Um retrato dos ciclos económicos, baseados essencialmente na agricultura, desde o povoamento da ilha descoberta pelos genoveses, em 1335, e encontrada pelos portugueses em 1419, como o trigo, o açucar e o vinho. Uma abordagem historiográfica feita a partir dos novos conceitos, com o objetivo de "trazer ao debate um conjunto de temas renegados ou proscritos, como as finanças e contrabando. É também necessário pensar a economia e a história da ilha dentro de um espaço restrito de arquipélago, quase só ilha, que marca a realidade madeirense".

João Godim
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