O escritor e autor de romances populares, como a «Morgadinha dos Canaviais» e as «Pupilas do Senhor Reitor», Júlio Dinis, tem no Funchal uma estátua a perpetuar a sua presença na Madeira, por três vezes. Era natural do Porto (nasceu em Novembro de 1839) e morreu na mesma cidade em Setembro de 1871, vitimado pela tuberculose, doença que o haveria de trazer até à Madeira para a tão desejada cura. A primeira vez que esteve entre nós foi em 1869, de Março a Maio; a segunda, em Outubro de 1869; e a terceira, entre Outubro de 1870 e Maio de 1871.
Uma das casas onde viveu, no Funchal, situa-se na Rua da Carreira (hoje com o número 90), onde foi descerrada uma lápide, em 1995, e inaugurada em frente do imóvel uma estátua (em bronze), obra do escultor madeirense Ricardo Velosa. Júlio Dinis era o pseudónimo do médico e escritor Joaquim Guilherme Gomes Coelho.
No ano do seu falecimento, 1871, publicou-se o romance «Os Fidalgos da Casa Mourisca». Só depois da sua morte se publicaram «Inéditos» e «Esparsos», em dois volumes, assim como as suas «Poesias», dadas à estampa entre 1873 e 1874.
Foi considerado o criador do "romance campesino" entre nós e dos títulos literários que produziu destacam-se ainda «Uma Família Inglesa» e «Serões da Província».
Excerto de uma carta enviada a José Pedro da Costa Basto aquando da segunda visita de Júlio Dinis à Madeira, já bastante doente: «Ó Funchal! Que tristes dramas se têm passado à luz do teu sol benéfico! Que lustrosos desenlaces de tantas histórias de paixões! Que de lágrimas ardentes caídas no teu solo sequioso, que se apresse a escondê-las discreto! E à sombra das tuas árvores quantas fontes escaldando de febre vergaram sob o peso da cruel melancolia!» (...)

João Godim
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