Liberdade, liberdade de escrita não há
Os direitos, liberdades e garantias não são banalidades. Direito exige demonstração, liberdade tem limites e garantia não abdica da seriedade. Nem a comunicação social pode dizer o que bem entende nem os cidadãos sujeitos a notícias que põem em causa os seus direitos, sejam generais, oficiais ou praças. O cidadão José Sócrates, ex-primeiro ministro de Portugal, recorreu para os tribunais com o objectivo de pôr cobro a notícias sobre a sua pessoa. O tribunal deu-lhe razão. Nenhum cidadão, independentemente da sua condição civil, pode ser tratado como bem entendem alguns mass media. A liberdade tem limites e o choradinho nervoso ao trazer à memória a censura=exame prévio revela ignorância ou canalhice. Não há comparação alguma.

A grande maioria dos jornalistas actuais não sabe como era ser jornalista no anterior regime, do lápis azul e da famigerada censura. Nós tivemos essa experiência e sabemos muito bem as diferenças, que presentemente não são assim tão grandes como alguns dizem. Liberdade, liberdade de escrita não há.
O jornalista assalariado de uma empresa de comunicação social tem de seguir a orientação editorial determinada pela entidade patronal. Manda o patrão e neste mandar estão os limites e objectivos. Não tenhamos ilusões. Nunca houve tanta auto-censura como agora. Nem tudo cabe na notícia. Jornalismo sem censura, onde?

João Godim
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