Calculem que o medo de Espanha em reconhecer a independência da Catalunha é ter que, posteriormente, enfrentar pretensões idênticas do País Basco, Andaluzia, Galícia, Baleares e Canárias. Então, por meias palavras, a Espanha está a reconhecer que a Catalunha tem legitimidade para chegar à autodeterminação. O rei e o governo espanhol promovem males e tempestades para meter medo aos independentistas.

Enfim, isto são histórias com séculos de lutas muito antigas. A Espanha não quer perder o que nada lhe custou e muito lhe deu. O problema subsiste. Para ter independência é preciso merecê-la e no caso da Catalunha é maior a razão legítima que a irracionalidade. Ouvimos comentários sobre independências que nos surpreendem pela negativa. Libertar-se do domínio e da opressão, escolher em consciência a sua liberdade, é visto como um atentado. Pois, em Portugal, a “gravidade” é igual à de Espanha.

Nunca ninguém entendeu a decisão de Portugal de dar a independência aos arquipélagos de São Tomé e Príncipe (tem cerca de 190 mil habitantes) assim como de Cabo Verde, sem consulta prévia às populações. Uma cedência meramente política e ideológica com fins pouco claros. Perguntem aos são-tomenses e aos cabo-verdianos se eles queriam ou não a independência?
O que vale é que a Espanha tem o apoio estereotipado de uma Europa complexada, centralista e obsessiva. Até quando? É que o medo e os relatos enviesados podem mudar e o que agora não é notícia de primeira página pode passar a ser... e tudo muda!

João Godim
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