De vez em quando os partidos políticos trazem para as campanhas eleitorais a questão “Antigos Combatentes”, uma espécie de pena e tristeza que Portugal há muito devia ter reconhecido a uma juventude que lutou pela Pátria em terras distantes. É óbvio que é um sentimento que toca ao coração dos portugueses e penso não haver ninguém que não tenha pena por “aqueles jovens que foram obrigados a ir para a guerra”. O facto em si está explorado.
Em ano de eleições (em maio, as europeias, e em outubro, as legislativas) é altura para trazer para a opinião pública os “coitadinhos” combatentes. Nada melhor do que anunciar algo que possa sensibilizar o que em si já muito quer dizer. Eis então que o governo aprovou, ontem, (12 de abril de 2019), 45 anos após o fim da guerra em África, um diploma que cria o “Cartão do Antigo Combatente”. A comunicação social deu eco à notícia e os portugueses aplaudiram...
Cartão do Antigo Combatente para quê? Para as consultas médicas serem grátis (são milhares os que sofrem de doenças devido à guerra); gratuitidade nos meios de diagnóstico e de terapia; isenção das taxas moderadoras; prioridade na admissão aos estabelecimentos (lares) destinados à terceira idade, etc. etc. Benefícios extensivos aos familiares? O Cartão dá direito a redução nos transportes? Para que serve o CAT? Nada foi dito nem a comunicação social dependente informou.
Nem se disse que “o universo de Antigos Combatentes – definido pela Lei 9/2002 (alterado em 2004 e 2009) – é actualmente de cerca de 485 mil cidadãos, com uma média de idades de 72 anos”, segundo a Liga dos Combatentes. Já o “Dia do Combatente” passar a ser assinalado a 11 de novembro, vale zero.

João Godim
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