Se há temas que os governos não gostam de abordar é o do ensino. É um tema que escandaliza, envergonha e põe em causa a ambição de um país quando o analfabetismo atinge milhares de cidadãos. Os países são tanto mais evoluídos quanto mais baixa é a iliteracia (dificuldade de escrever, ler e interpretar). Os portugueses não têm hábitos de leitura, não investem na cultura e pouco interesse pelo aprofundar o conhecimento.
Em 1974 (ano da queda da ditadura e início da democracia), os censos referiam que 25 % dos portugueses não sabia ler. Estamos em 2019, na fase final da segunda década do século XXI, e a taxa de analfabetismo é da ordem dos 5 %, isto é, a taxa mais alta dos países da União Europeia.
Portugal tem, neste momento, cerca de meio milhão de analfabetos (divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Decorridos quase cinco décadas da mudança da ditadura para a democracia, já não faz sentido culpar o antigo regime salazarista, pobre e cinzento, pelo baixo nível cultural dos portugueses. É que esta situação influencia (e de que maneira) a baixa produtividade e os baixos salários dos portugueses.
Os governos fogem desta doentia crise, evitam a todo o custo abordá-la, mesmo quando relatórios oficiais citam os portugueses como os europeus com uma das maiores taxas de analfabetismo. Em discurso directo: Uma vergonha.
Livros em saldo, até nos hipermercados. Leitores!!!

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS