O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disse, ontem, em Fátima que os candidatos e partidos políticos têm de apresentar propostas “concretas” para ganhar a confiança do eleitorado. “Cheques em branco, não é bem a altura para os passar”, declarou D. Manuel Clemente, no final da Assembleia Plenária que se iniciou segunda-feira. O cardeal-patriarca de Lisboa, reafirmou a sua preocupação com a centralização do debate em “casos” em vez de “causas”, como tinha feito no discurso inaugural da reunião magna da CEP.
“Apresentem causas, programas e reflexões concretas, não fiquemos apenas no fulanismo. Isso são nomes, ficamos assim numa espécie de nominalismo oco. Não, causas”, apelou. Segundo o responsável, esta ‘fulanização’ do debate político “desvia do essencial”, que é debater os problemas e “quais são as propostas para os resolver”.
As eleições para a Assembleia da República, em Portugal, vão ocorrer, este ano, numa data a definir pelo presidente, entre 14 de Setembro e 14 de Outubro; as eleições presidenciais, por sua vez, vão realizar-se no início de 2016. D. Manuel Clemente considerou que o surgimento de vários candidatos presidenciais resulta de um “exercício de cidadania”, num processo “normal”.“Não digam apenas que querem resolver, isso queremos todos. Como? Isso é que é fundamental”, pediu.
Segundo o cardeal-patriarca, a actividade política é também uma pedagogia, que se exige a todos os seus protagonistas. “Se eu quero intervir mais activamente, propondo-me a um cargo na vida política, também tenho uma responsabilidade pedagógica”, precisou. D. Manuel Clemente sublinhou ainda que, num Estado laico, aquilo que interessa aos católicos “é aquilo que interessa a todos os portugueses”.

João Godim
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