O Papa Francisco preside, neste domingo (14 de Outubro), no Vaticano, à cerimónia de canonização de sete novos santos, entre eles o Papa Paulo VI e o arcebispo de São Salvador D. Óscar Romero. Os outros santos são os padres Francesco Spinelli (1853-1913) e Vincenzo Romano (1751-1831); as religiosas Maria Catarina Kasper (1820-1898) e Nazária Inácia de Santa Teresa de Jesus (1889-1943); e o jovem leigo italiano Nunzio Sulprizio (1817-1836).
Paulo VI nasceu em Bréscia, no norte da Itália (Setembro de 1897), foi eleito Papa, em Junho de 1963, durante a realização do Concílio Vaticano II (1962-1965) e que presidiu após a morte de João XXIII. Promoveu a aplicação da doutrina conciliar. Faleceu em 1978 e o seu legado formativo para a Igreja está disponível em 12 exortações e 7 encíclicas, entre outros documentos. Instituiu ainda o Sínodo dos Bispos e o Dia Mundial da Paz.

Paulo VI
Foi o primeiro Papa a fazer viagens internacionais, discursou na ONU e o primeiro Papa peregrino de Fátima, em 13 Maio de 1967, onde evitou encontrar-se com as autoridades governativas devido às tensões diplomáticas que então se registavam por causa da viagem que fizera ao Congresso Eucarístico a Bombaim, em 1964, já depois da Índia ter anexado Goa, Damão e Diu; em 1960.
Paulo VI receberia no Vaticano representantes dos movimentos de libertação dos territórios africanos sob dominação portuguesa. Com esta canonização, quatro dos nove Papas que a Igreja Católica teve no Século XX são já santos, incluindo Pio X, João XXIII e João Paulo II.
Por seu lado, o arcebispo salvadorenho Óscar Romero Óscar Romero (1917-1980) destacou-se como grande defensor dos direitos humanos no seu país. Nasceu numa família pobre em Ciudad Barrios (El Salvador); aos 14 anos, entrou no seminário, mas seis anos depois saiu da instituição para ajudar a família que estava com dificuldades e ficou a trabalhar nas minas de ouro.

Óscar Romero
Após retomar os estudos, foi para Roma estudar Teologia na Universidade Gregoriana; ordenado sacerdote em 1942, regressou a El Salvador. Em 1970, foi nomeado bispo auxiliar de São Salvador; em 1974, por decisão de Paulo VI, assume a Diocese de Santiago de Maria, no meio de um contexto político de forte repressão, sobretudo contra as organizações camponesas.
Em 1977, torna-se arcebispo de São Salvador e passa então a "denunciar a repressão, a violência do Estado e a exploração imposta ao povo pela aliança entre os sectores político-militares e económicos, apoiada pelos EUA, bem como a violência da guerrilha revolucionária". Foi assassinado a 24 de Março de 1980, enquanto celebrava Missa.

João Godim
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