"Foi perdido o sentido da densidade e interdependência da vida humana. O humanismo é a última resistência de que dispomos", escreveu Edward W.Said (1935-2003), escritor, ensaísta, professor norte-americano de origem palestiniana. Esta afirmação continua a ser premente face aos conflitos e cenários de guerra em quase todo o mundo, mas com especial atenção em certas partes do globo, como o Médio Oriente e o Continente asiático.
Há pretensões poderosas que relevam mais o aspecto bélico do que o apoio às pessoas e às populações em fuga, pelo que o "humanismo", como defendia Said, constitui também uma forte resistência, como se verificou recentemente, por exemplo, nas manifestações a favor do Planeta.
O futuro não se restringe apenas a planos ou estratégias ou decisões políticas de potências que se revezam no comando do mundo; passa, necessariamente, pela defesa da pessoa, numa situação em que cada um deve contribuir para o melhor da humanidade; e nesta prioridade regista-se cada vez mais, pelos menos nos países desenvolvidos, de uma maior consciencialização pelas causas e ideais a favor de todos; nisto se define e se justifica, por outro lado, o sentido do "voto eleitoral", com liberdade e esclarecimento sobre direitos e deveres.

Continua válida a asserção de Said, há que recuperar a "interdependência da vida humana", porque ninguém existe sozinho ou é mais importante do que o outro.

João Godim
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