Uma grande sénior, assim se pode considerar a Professor Maria Helena da Rocha Pereira que, há poucos dias, neste mês de setembro, completou 91 anos de idade (nasceu no Porto, em 1925). Foi a primeira mulher catedrática da Universidade de Coimbra.
Professora na Faculdade de Letras, naquela universidade, é tida como a maior autoridade portuguesa em Estudos Clássicos, sendo um dos nomes mais importantes na investigação em Estudos Literários-Línguas e Literaturas Clássicas, Cultura e Literatura Gregas.
Retirada das lides docentes, continua, no entanto, a ser modelo para os mais novos e interessados na aprendizagem do verdadeiro saber e conhecimento, desde as suas mais profundas raízes.
Nas suas próprias palavras, "o estudo do Grego e do Latim, essas línguas cuja estrutura é tão propícia ao desenvolvimento do raciocínio e de cujo vocabulário brota quase toda a linguagem científica e técnica de que nos servimos – quer vinda directamente da Antiguidade, quer assente em neologismos a partir daquele constituídos”.
Continua a ser "necessário nos nossos dias", apesar de um certo menosprezo ou abandono da parte dos currículos académicos pelas "Humanidades".
Em resposta a uma questão colocada numa entrevista pela revista Ler (em 2010) sobre: "Que é que perdemos com a queda do uso e do ensino do Latim?, afirmou:
"Em primeiro lugar, perdemos o ensino do Português. Em segundo, perdemos um caminho aberto para as outras línguas românicas. Acima de tudo, perdemos um treino da inteligência.
O Latim ocupa, no domínio das ciências humanas, um lugar paralelo ao da matemática no das ciências exactas. Parecendo que não, há muitas semelhanças entre o tipo de exercício mental a que ambos obrigam."

João Godim
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