"Sou português. Nasci em Lisboa, no dia 30 de Maio de 1854. Estudei o curso de marinha e dediquei-me a official da marinha de guerra. Em tal qualidade fiz numerosas viagens, visitando as costas da África, da Ásia, da América, etc. (Excerto de uma carta de Wenceslau de Moraes (1854-1929) a um japonês que lhe pedira uma autobiografia).

Wenceslau de Moraes começou a escrever poesia aos 18 anos e, três anos depois, após concluir o curso da Escola Naval, foi nomeado segundo tenente, indo servir em Moçambique. Chegou a Macau, aos 34 anos, e foi aí que começou a escrever a obra "Traços do Extremo Oriente".
Promovido a capitão-de-fragata em Macau, foi como vice-comandante do porto que realizou as viagens que o levaram à China, à Tailândia, a Timor e várias vezes ao Japão, país que o deixou fascinado.
Em 1899, abandonou a carreira naval e abriu o primeiro consulado português em Kobe e Osaka, cargo que exerceria até 1913, rompendo depois as ligações com o Estado português, com a Marinha e com o Ministério dos Estrangeiros, decidindo ficar para sempre no Japão e aí ser enterrado.
Entretanto, prosseguiu a sua atividade de escritor, sendo autor de obras como "O Culto do Chá", "Paisagens da China e do Japão", "A Vida Japonesa", "Fernão Mendes Pinto no Japão", "Relance da História do Japão", "Serões no Japão" e "Relance da Alma Japonesa". Wenceslau de Moraes viria a morrer em 1929, com 75 anos de idade, 31 dos quais passados no Japão.
É considerado pelos investigadores académicos "o último dos nossos grandes escritores de viagens", sendo o seu "Dai-Nippon" ((o grande Japão) "o maior livro no género depois da Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto. E se "Mendes Pinto (viveu entre 1510 e 1583) é o maior descobridor da Ásia por terra; Wenceslau concentra-se no Japão, como atesta a maior parte da sua obra literária.

A bibliografia sobre Wenceslau de Moraes é vasta e significativa, desde há muito, com particular destaque, a mais completa biografia escrita pelo embaixador Armando Martins Janeira (1914-1988), admirador e profundo conhecedor da obra de Wenceslau de Moares.

João Godim
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