PORTUGAL QUIS VENDER
A MADEIRA AOS INGLESES
A Madeira foi encontrada e povoada pelos portugueses há quase 600 anos (1419). A sua localização geográfica serviu de plataforma ou rampa de lançamento para a conquista e propriedade de "novos mundos".
Na ilha, prepararam-se e abasteceram-se populações para outros destinos, disputaram-se contendas, a favor e contra a Governo centralizado em Lisboa, deram-se garantias a estrangeiros em nome de uma "antiga aliança" ou porque defendiam os locais dos piratas e corsários.
A História, neste contexto insular, está cheia de episódios curiosos. E se, num passado distante, em plena monarquia ou poder da Coroa, era costume dar-se como "dote" uma ilha ou um certo território… no século XIX, por exemplo, no ambiente da "guerra civil" e das "lutas liberais", essa tradição vestiu-se de outras roupagens.
No caso da Madeira, a ilha esteve para ser vendida (oferecida), por duas vezes, entre as décadas de 30 e 40, e o mais interessante desta hipótese é que seria vendida aos ingleses! Aos "súbditos de Sua Majestade" que na ilha já desenvolviam negócios e serviam de "mediadores" entre muitas "causas perdidas", dirimidas entre os "poderes" da ilha e os "interesses da Nação".
É caso para perguntar: Quanto custa ser independente? Quantas "moedas" são precisas para manter a identidade histórica? A quem de direito cabe decidir da vontade e do futuro de um povo?
Pelos vistos, esta realidade permanece bem vistosa ainda no nosso tempo, com outros governantes e instâncias... Não se fala de "venda", antes de "cooperação", "ajudas a fundo perdido", "vantagens a rodos", "empréstimos eternos"... E, no entanto, a força para resistir vem da letra do Hino nacional: "Heróis do mar, Nação valente, Povo imortal...".
NB: O Arquipélago da Madeira (ilhas do Porto Santo, Madeira, Desertas e Selvagens) foi descoberto pelos navegadores genoveses (italianos), em 1335. Os portugueses encontraram o arquipélago em 1419.

João Godim
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