Aquilino Ribeiro
"Dos fracos não reza a história", diz o ditado, mas dos "grandes" também fala-se pouco, estão quase "esquecidos", porque o seu tempo "já era", justifica-se assim. Todavia, há "gigantes" que ultrapassam qualquer medida do tempo, vivem para além das modas temporais, estão sempre presentes no espaço das letras, das ideias e dos ideais, como alicerces da expressão mais genuína que se pretende conservar, para que a identidade de um povo e de um país possa sobreviver a todas as provocações. Estão neste caso, por exemplo, o padre António Vieira e Aquilino Ribeiro, cujo 130.º aniversário de nascimento se assinala neste mês de setembro. "Mestre Aquilino", um dos maiores escritores da literatura portuguesa, que viveu entre 1885 e 1963, é pouco lido e conhecido hoje em dia, as suas obras literárias são consideradas difíceis, mas merece ser lido ao lado dos seus contemporâneos, como Raul Brandão e Fernando Pessoa, entre outros.
Casa Museu e Biblioteca de Aquilino Ribeiro
Aquilino Ribeiro nasceu no Carregal da Tabosa, concelho de Sernancelhe, no ano da morte de Victor Hugo, ano em que foi fabricado o primeiro automóvel. Teve uma infância rústica e bucólica, primeiro no Carregal e depois em Soutosa (concelho de Moimenta da Beira); estudou no Seminário de Beja (1902-1904), Sorbonne, em Paris (1910-1914); foi professor liceal, conservador da Biblioteca Nacional e um dos fundadores da famosa revista Seara Nova. Foi o escritor que melhor desenhou com palavras a "região da Beira, as suas paisagens, as suas gentes, os seus modos de falar, lendas e costumes", entre muitos outros aspetos. Publicou em vida 69 livros distribuídos pela ficção, jornalismo, crónica, memórias, ensaio, estudos de etnologia e história, biografias, crítica literária, teatro, literatura infantil, e traduções.

Da sua extensa bibliografia destacam-se os livros: "A Casa Grande de Romarigães", "O Malhadinhas", "Um Escritor Confessa-se"... Esteve envolvido numa certa polémica aquando do regicídio (1908) e da implantação da República (1910); era genro de Bernardino Machado (1851-1944), Presidente da primeira República Portuguesa, em 1914; e pai do engenheiro Aquilino Ribeiro Machado (1930-2012), deputado e presidente da Câmara Municipal de Lisboa depois do "25 de Abril". Está sepultado no Panteão Nacional.

João Godim
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