Direitos Humanos na ordem do dia
Numa altura em que a Europa é pacificamente invadida por milhares de asiáticos e africanos em fuga, devido à guerra nos seus países, tudo quanto possa ser feito em prol das populações indefesas é digno de galardão. Por conseguinte, não constitui surpresa o facto do "Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia" ser distinguido com o “Nobel da Paz de 2015”, pela sua "contribuição para a construção de uma democracia pluralista no país durante a revolução de 2011", anunciou o comité do prestigiado Prémio, em Estocolmo, na Suécia.
O Quarteto foi formado, em 2013, por várias entidades - a União Geral Tunisiana do Trabalho (sindicato de trabalhadores), a União Tunisiana da Indústria, do Comércio e do Artesanato (patronato), a Ordem Nacional dos Advogados da Tunísia e a Liga Tunisiana dos Direitos Humanos, quando o processo de democratização do país corria sérios riscos de colapsar após assassinatos e protestos que se espalharem pelo país.
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O comité do Nobel considera que o Quarteto “estabeleceu uma alternativa, um processo político pacífico num período em que país estava à beira de uma guerra civil”, e foi “instrumental ao permitir que a Tunísia, num espaço de alguns anos, estabelecesse um sistema de governo constitucional.”
Mais, a sua formação garantiu “direitos fundamentais para toda a população, sem distinção de género, convicção política ou religião", tendo o Quarteto desempenhado a importante tarefa de "mediador e força motriz para promover o desenvolvimento democrático pacífico na Tunísia com grande autoridade moral", permitindo assim a realização de eleições democráticas em Dezembro de 2014.
Recorde-se que a Tunísia foi atingida, em 2011, pela "Revolução de Jasmim", que levou à queda do presidente Ben Ali, que ocupava o cargo desde 1987, em regime autoritário, mas as manifestações e protestos registados naquele ano foram reprimidas violentamente.
Com o Nobel da Paz deste ano, ressaltam os especialistas, pretende-se chamar a atenção para os esforços e iniciativas a favor da paz no grupo dos países que passam por transições difíceis a favor da democracia.
Em 2014, os vencedores do Nobel da Paz foram o indiano Kailash Satyarthi e a jovem paquistanesa Malala Yousafzay, "pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação". Em 2013, foi atribuído à Organização para a Proibição das Armas Químicas, entidade que supervisiona a destruição do arsenal químico na Síria, um país que infelizmente continua em guerra, com milhares de refugiados a chegarem à Europa.

João Godim
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