Foi a 23 de Maio de 1179 (faz, hoje, 826 anos) que o Papa Alexandre III confirmou D. Afonso Henriques como Rei/fundador de Portugal, através da Bula "Manifestis probatum", É um dos mais importantes documentos pontifícios da nossa identidade histórica. Além de confirmar o título de Rei era também atribuída essa garantia aos seus sucessores. Por outro lado, concedia ao monarca português o domínio dos territórios conquistados e a conquistar aos Mouros, o que significava um grande impulso à expansão territorial.
Alexandre III foi um dos papas mais cultos da Idade Média, professor de Direito e de Teologia, cujas teorias do poder aplicou durante o seu pontificado, tendo exercido uma influência incontestável na Europa do seu tempo.

D. Afonso Henriques, por seu lado, tomando-se tributário da Santa Sé, com vassalagem ao Papa, obteve o apoio necessário e indispensável na época para garantir uma independência já adquirida de facto, mas ainda não confirmada pela única autoridade que então podia conceder-lha.
O Papa, atendendo às qualidades de "prudência, justiça e idoneidade de governo", coloca D. Afonso Henriques “sob a protecção de São Pedro e a nossa», concede e confirma «por autoridade apostólica ao seu domínio, o Reino de Portugal com todas as honras inerentes à realeza, bem como as terras que arrancara das mãos dos sarracenos e nas quais não podiam reivindicar direitos os vizinhos príncipes cristãos. O privilégio estende-se a todos os seus descendentes, prometendo o Papa defender esta concessão com todo o seu poder supremo”.
NB: Portugal é a nação mais antiga da Europa cujas fronteiras foram definidas em 1249. Todavia, a fundação de Portugal ocorreu a 5 de Outubro de 1143, com a assinatura do Tratado de Zamora. A 23 de Maio de 1179 é quando o Papa confirma D. Afonso Henriques como Rei de Portugal. São datas históricas.

João Godim
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