

Lisboa é Pessoa ao nascer, ao baptizar, do crescer, do escrever, do trabalhador, das tertúlias e dos copos à mesa da Brasileira e do Martinho da Arcada. Até do estranho amor por Ofélia e da casa museu em Ourique. Lisboa é Pessoa, como se fosse uma única pena na imensurável escrita portuguesa, escarafunchado até o último suspiro. Uma projecção que os letrados gostam, um tal orgulho por Pessoa com honras de pedestal acima dos mortais.
Esta grandeza por Pessoa também pode ter origem num Portugal de poucos feitos literários a nível internacional, excepção para José Saramago, Nobel da Literatuta em 1998. Um país com poucos feitos heróicos dá tudo o que tem sem olhar a quem. Na verdade, Lisboa está cheia de lápides, placas e insígnias com o autor do Desassossego. Nenhum outro escritor português de renome mundial tem tanta projecção, qual Camões, Eça, Garrett, Aquilino, Camilo, Torga, Cardoso Pires, Vergílio Ferreira, Herberto Hélder, Agustina, António Lobo Antunes, e muitos outros que nem uma ténue menção têm a não ser numa ruela ou beco da aldeia onde nasceram.
Não são exageros, papéis com letras repetitíveis, são constatações que o próprio Fernando Pessoa, de personalidade humilde, mais não daria que uma relativa importância. Um escritor não é mais ou menos escritor pelo número de livros publicados, pelo número de esculturas e chapas, o seu reconhecimento é feito pelos leitores em todo o mundo, o mais são pessoalismos exagerados que não pessoanos. Fernando Pessoa para ser conhecido não precisava que a Câmada de Lisboa fosse aos extremos! Hipérboles da capital do país que estranhamente exibe o anacrónico título de Bilioteca Nacional de Lisboa... Lisboa uma nação|?


João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS