"A história que me interessa contar são sempre histórias de uma procura da completude humana, de uma integração, a alcançar através de provas práticas e morais ao mesmo tempo, para lá das alienações e dos esquartejamentos que são impostos ao homem contemporâneo", confessou Italo Calvino a propósito do seu livro "Um Eremita em Paris".

Autor de uma obra significativa, com preocupações humanistas, onde se destacam ainda: "Por Que Ler os Clássicos" ou "As Cidades Invisíveis", Ítalo Calvino (1923-1985) morreu faz agora 30 anos (de hemorragia cerebral, em Siena), nas vésperas de proferir uma série de conferências na Universidade de Harvad, nos EUA, de teor ético, e publicadas postumamente com o título Seis Conferências para o Novo Milénio.
Italo Calvino nasceu em Cuba, onde os pais, cientistas italianos, foram trabalhar. Mas cedo veio para Itália, ainda na infância, e aqui fez toda a sua formação pessoal, profissional e literária, tendo-se doutorado em Letras, na Universidade de Turim. Participou na II Guerra Mundial através da resistência ao fascismo, foi depois membro do Partido Comunista Italiano até 1956, altura em que abandonou a política partidária, desiludido com a invasão do exército soviético na Hungria, com o esmagamento dos direitos humanos e civis.
Considerado o "discípulo espiritual" do escritor argentino Jorge Luis Borges, Calvino foi consagrado como um dos grandes autores de seu tempo, com um pendor especial para rastrear e diagnosticar, através da narrativa de ficção, de relatos imaginários e de uma fina ironia, a sociedade e o mundo contemporâneos.
Quem se lembra, hoje, em dia, da sua produção intelectual, das suas ideias? Por vezes é preciso voltar ao passado para se entender melhor o presente, na medida em que outros já passaram por situações idênticas e deixaram como testamento o melhor do seu pensamento e experiência. “Quando tenho mais ideias do que os outros, dou-lhe essas ideias, se as aceitam; e isso é comandar", disse Italo Calvino.

João Godim
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