
Há regras mas não há disciplina, há lei mas não há rigor, há um forrobodó na política mas não há penalizações, há dívida do estado acima dos 130 % do PIB mas os governantes não são os responsáveis, há falência pública, há greves promovidas por partidos em nome dos sindicatos, há falsos profetas que deviam estar por detrás das grades, há muita matéria identificada que daria para dar novo rumo a Portugal se houvesse vontade de fazer em vez de apenas prometer.
Há um presidente da República que vai a um bairro social, de seu nome Jamaica, por causa de uma briga entre vizinhos, quando há outras imperiosas necessidades noutros locais. Um mesmo presidente que dias depois está em Luanda a pedir ao presidente angolano que pague a dívida de milhões às empresas portuguesas. Há um governo formado, em parte, por famílias como se fosse uma empresa privada, com a diferença que a privada tem de ser bem gerida e dar lucro, ao passo que a dívida pública não deixa de aumentar e os governantes não são obrigados a pagar.
Há bancos com o garrote financeiro, figurada falência camuflada, com somas milionárias em crédito malparado e os banqueiros a viver como se nada tivesse acontecido. Há empresários milionários sem justificarem as origens da riqueza, reinando aqui a tal ausência de seriedade. Andam em liberdade como o mais cumpridor dos cidadãos quando deviam estar na prisão.
Há um país despolitizado, adormecido pelos ditames do poder, cheio de sol e de turistas, gente pobre e aparentemente a viver bem, com vencimentos e reformas dos mais baixos da União Europeia. Gente feliz com tão pouco! Isto é Portugal.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS