O Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, em Lisboa, vai acolher a partir da próxima quinta-feira (21 de Novembro) a exposição “Orto di Incendio – 27 artistas a partir de Al Berto”, uma exposição de gravura artística, que ficará patente ao público até Fevereiro de 2020, inspirada no livro “Horto de Incêndio” do poeta português Al Berto (1948-1997). Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares, foi poeta, pintor, editor e animador cultural.
Para lá dos vários livros de poesia que publicou em vida, Al Berto dedicou-se também ao estudo de Belas-Artes, quando esteve exilado em Bruxelas, entre 1967 e 1975, entre outras actividades.

É PRECISO REPENSAR A NOSSA VIDA
> É preciso repensar a nossa vida. Repensar a cafeteira do café, de que nos servimos de manhã, e repensar uma grande parte do nosso lugar no universo.
Talvez isso tenha a ver com a posição do escritor, que é uma posição universal, no lugar de Deus, acima da condição humana, a nomear as coisas para que elas existam. Para que elas possam existir… Isto tem a ver com o poeta, sobretudo, que é um demiurgo. Ou tem esse lado.
Numa forma simples, essa maneira de redimensionar o mundo passa por um aspecto muito profundo, que não tem nada a ver com aquilo que existe à flor da pele. Tem a ver com uma experiência radical do mundo.
Por exemplo, com aquela que eu faço de vez em quando, que é passar três dias como se fosse cego. Por mais atento que se seja, há sempre coisas que nos escapam e que só podemos conhecer de outra maneira, através dos outros sentidos, que estão menos treinados… Reconhecer a casa através de outros sentidos, como o tacto, por exemplo. Isso é outra dimensão, dá outra profundidade. E a casa é sempre o centro e o sentido do mundo. A partir daí, da casa, percebe-se tudo. Tudo. O mundo todo."
Al Berto, in "Entrevista à revista Ler (1989)".

João Godim
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