Momentos-chave da história portuguesa
No centenário de nascimento do Prof. Joel Serrão, a Biblioteca Nacional (BN), em Lisboa, presta-lhe uma merecida homenagem com uma exposição intitulada "Joel Serrão (1919 - 2008)", que está patente ao público até ao dia 16 de Novembro. Natural do Funchal, freguesia de Santo António, Joel Serrão (faria 100 de vida no próximo dia 12 de Dezembro) cedo se distinguiu na investigação intelectual, em particular nos estudos filosóficos e históricos, com incidência sobre o século XIX português.

Licenciado em Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras Lisboa, Joel Serrão foi professor neste estabelecimento de ensino superior, também no Instituto Superior de Economia e em vários Liceus do País. Foi ainda administrador da Gulbenkian, (Pelouro da Ciência), dirigiu a revista e a Colecção Horizonte, e dirigiu o Centro de Estudos de História do Atlântico, na Madeira.
A sua biblioteca pessoal encontra-se na Biblioteca Municipal do Funchal (Edifício 2000, na Avenida Calouste Gulbenkian), onde pode ser apreciada, consultada e estimada com especial emoção.
Comissariada pelo investigador José Guedes de Sousa, a exposição homenageia o historiador que se afirmou no meio intelectual português a partir dos anos da II Guerra Mundial, "com intuitos de renovação cultural e intervenção pública norteados pelo apostolado 'sergiano' que o acompanharia, por vezes criticamente, ao longo da vida".

A obra de Joel Serrão denota uma grande variedade de interesses, que vão desde a sua inicial propensão filosófica (patente na tese de licenciatura e em antologias) até aos estudos literários, que abrangeram vários autores, como é o caso de Fernando Pessoa, logo em 1945.
Contudo, como destaca José Guedes de Sousa, foi na historiografia que Joel Serrão viu satisfeitos os seus diferentes interesses, primeiro no estudo de momentos-chave da história portuguesa (1383-85, 1640), depois o século XIX.
"Logo no início dos anos 1950 delineia um programa metodológico e de pesquisas que o irão ocupar nas décadas seguintes. Influenciado pelos Annales (Lucien Febvre, sobretudo), pretendia trazer valores e práticas da investigação científica para uma época ainda em grande medida desconhecida. Uma tarefa hercúlea de desbravamento das mais variadas perspetivas da sociedade oitocentista portuguesa, traduzida em estudos, ensaios, sondagens, hipóteses, revelação de fontes inéditas", descreve.
Temas de investigação que privilegiou: industrialização, emigração, burguesia e sebastianismo.

João Godim
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