230 deputados decidem
por 10 milhões de portugueses
Eutanásia por voto secreto e sem Referendo. São os deputados na Assembleia da República a aprovar a lei sobre a Eutanásia. Uma incongruência que vai contra os princípios mais elementares da democracia. Os eleitores portugueses não são ouvidos nem achados, são simplesmente arredados de um Referendo que faria todo o sentido numa matéria como esta.
Deputados a decidir em nome de todos os cidadãos é inaceitável. A despenalização da morte medicamente assistida (eutanásia) não pode ser aceite como um projecto lei qualquer, diz respeito a todos os seres humanos. Porquê não querem os partidos a consulta popular (Referendo), porque sabem que o resultado, como tudo indica, seria contra.

Uma postura dos partidos e dos deputados sumamente criticável. Recente inquérito realizado em cinco cidades do país (Lisboa, Porto, Coimbra, Funchal e Ponta Delgada), dava um resultado maioritariamente desfavorável à Eutanásia. A vida não pode ser decidida por outrem, por leis politizadas e ideologicamente partidarizadas, porque está acima de todo o ser humano. Não é ser contra nem a favor, é fazer valer os valores da democracia.
Rui Rio, presidente do PSD, é favorável à Eutanásia. Ao menos deu a cara. Já agora, a votação de amanhã, na Assembleia da República, devia ser de “cara mostrada” e não por voto secreto. Na Europa, apenas a Holanda, Bélgica, Suiça e Luxemburgo têm lei sobre a Eutanásia, uma minoria de países. Portugal, sob a opção de 230 deputados e a desconsideração por mais de 10 milhões portugueses corre o risco de fazer parte de mais uma minoria europeia. E assim vamos...

João Godim
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