Os portugueses vão eleger, a 25 de maio, 21 deputados para o Parlamento Europeu. São as eleições mais “às-cegas” que se realizam, de cinco em cinco anos, no nosso país, por não haver um verdadeiro debate sobre a União Europeia, direitos de cidadania e as muitas influências que a europa comunitária exerce sobre o dia-a-dia dos portugueses. Assim, está justificado o facto de serem as eleições que registam a maior abstenção.
Os candidatos já andam em campanha com uma verborreia palradora repetitiva e arrepiante. Os ataques pessoais são incompatíveis e roçam a mediocridade, como se as funções no parlamento europeu fossem coisa banal. Os “cabeças de lista” dos candidatos não promovem nem esclarecem, os partidos não fazem a pedagogia do saber, e a Europa de todos nós continua como “uma coisa” secundária. Vamos a factos concretos:

O vencimento mensal de um eurodeputado é = 7 956,87euros; Subsídio para despesas gerais = 4 299 euros mensais; Despesas com pessoal (staff) = 21 209 euros mensais; Têm ainda subsídios pela sua participação em reuniões no montante de 304 euros, entre outras, como direito ao reembolso do custo das viagens, etc. Em montante financeiro (tudo somado), mais de 30 mil euros mensais entram na conta de cada eurodeputado português. Em 5 anos (60 meses) é só multiplicar.
A adicionar a estas mais-valias, os filhos têm acesso gratuito à escola europeia e os eurodeputados têm ainda direito a aposentação aos 63 anos. Porque a estes valores podem ser adicionados mais uns tantos milhares, a Transparência Internacional junto da União Europeia (TI EU), revela que 60 % dos deputados do parlamento europeu desempenham outras actividades profissionais.
Com tais el dourados só o Tio Patinhas da banda desenhada. É votar para o inimaginável. Conhecem os deputados portugueses no Parlamento Europeu? Não, oh diacho!

João Godim
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