Dois grandes vultos da literatura portuguesa dos últimos cem anos - Guerra Junqueiro e José Régio, fazem anos neste dia 17 de Setembro. Em 1850, nasceu Guerra Junqueiro, em Freixo de Espada a Cinta, no seio de uma família de lavradores abastados, tradicionalista e clerical; destinado à vida eclesiástica, chegou a frequentar o curso de Teologia entre 1866 e 1868, mas formou-se em Direito na Universidade de Coimbra.

Guerra Junqueiro desempenhou altos quadros na administração pública, foi político, deputado, jornalista, mas ficou mais conhecido como escritor e poeta. Pertenceu ao grupo da chamada "poesia popular" da sua época e foi o mais típico representante da “Escola Nova”.
Poeta panfletário, com a sua a sua obra ajudou a criar o "ambiente revolucionário" que conduziu à implantação da República em 5 de Outubro 1910. Neste contexto, entre 1911 e 1914, representou Portugal como embaixador na Suíça. Faleceu em 1923, em Lisboa.

No dia 17 de Setembro, mas em 1901, nasceu também José Régio (pseudónimo literário de José Maria dos Reis Pereira), em Vila do Conde. Escritor, poeta, dramaturgo, romancista e novelista, exerceu grande influência junto dos seus pares, em especial como editor e director da revista "Presença", a partir de 1927.
Foi ainda professor do Liceu de Portalegre, onde desenvolveu paralelamente uma importante actividade de coleccionador de arte sacra e popular. Faleceu em 1969, em Vila do Conde.
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Cântigo Negro
Vem por aqui”- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui”!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
… Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
,,, Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei para onde vou,
Não sei para onde vou
—Sei que não vou por aí!
> José Régio

João Godim
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