A olho nu, o país vai nu. Uma nudez desenvergonhada e cada dia que passa mais institucionalizada. O governo vai nu, o parlamento mais nu vai, os partidos políticos desprovidos de agasalhos, os sindicatos encalhados e a comunicação social vítima da promiscuidade. A própria rede familiar nos governos é feita às claras. Já nada se estranha.
O país vai nu quando aceita programas na televisão como “Big Brother”, “Casados à primeira vista”, “Quem quer casar com o agricultor”, “Quem quer casar com o meu filho”, expondo a mulher como um objecto desonroso. O país vai nu quando permite os políticos enriquecer com bens públicos, mentirem nas comissões de inquérito e invocarem falta de memória ou “não me lembro” indecoroso.
O país vai nu por estar preso a teias políticas manietadas por quem tudo faz para impedir o desenvolvimento cultural e intelectual. Estamos à beira de comemorar 45 anos de democracia (25 de abril de 1974-2019) e os postos cimeiros continuam a ser ocupados pelos mesmos de sempre, nos governos, nas autarquias, nos sindicatos, nas empresas PP, etc.
Mais nu vai o país quando a ilegalidade é legal. Quando vimos um ex-governante pedir para ser preso numa determinada prisão, depois de ter lesado o estado em centenas de milhões de euros. Outros estão na brega. E… assim vai o país!

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS