
Decorre, neste fim de semana, mais uma "Feira de Gado", no Porto Moniz, Madeira. A Região teve, durante anos, uma produção própria de gado bovino que praticamente abastecia o mercado regional. Não só na zona norte mas também nas zonas leste e oeste da ilha havia zonas privilegiadas para pastagens de gado vacum, vindo a ter, na Camacha, anos 60/70 do século passado, um dos mais modernos postos zootécnicos do país e da Europa. As "feiras de gado" no sítio da Santa, serras do Porto Moniz, tiveram início há cerca de sete décadas, constituindo uma amostra da riqueza da pecuária madeirense, tanto quanto à produção de carne como de leite de elevada qualidade.
Inexplicavelmente, pós Abril de 1974, a pecuária madeirense, tal como a agricultura e as pescas, passaram para um segundo plano com o argumento de que "é mais barato importar do que produzir localmente". Inverteram-se as posições, de balança positiva passou a negativa, ao ponto de hoje a região (como também o país) ser significativamente dependente da importação.

Para um arquipélago que foi auto-suficiente, tanto na bovinicultura como na agricultura e pescas, tendo inclusive mercado de exportação, nomeadamente para Cabo Verde, o "peso negativo" parece uma maldade ao fértil solo e mar madeirenses. Nada pior para um país como para uma ilha do que ficar na dependência do exterior, tal como hoje está Portugal no seu todo. Um duro golpe na produção regional e nacional, sem que haja culpados, sem que se possa olvidar alguma conotação às célebres propagandas "terra a quem trabalha"... que deixaram muitas das outroras zonas agrícolas produtivas ao quase abondono.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS