A busca perpétua do questionamento
Em homenagem a Voltaire, pseudónimo de François-Marie Arouet (1694-1778) escritor e filósofo francês, autor de "Cândido ou o Optimismo" e do "Tratado sobre a Tolerância", nascido a 21 de Novembro, assinala-se hoje o Dia Mundial da Filosofia. Uma efeméride para valorizar o conhecimento crítico e a reflexão mais profunda, sem preconceitos, com a ajuda dos grandes pensadores.
Na sua mensagem para este ano (2019), a directora-geral da UNESCO (agência das Nações Unidas para a Ciência e a Cultura) sublinha que: “A Filosofia nasceu do nosso assombro pelo mundo e pela nossa existência”. Existem várias definições de filosofia, mas a de Arthur Schopenhauer, na sua obra-prima 'O Mundo como Vontade e Representação', é talvez uma das mais brilhantes. A Filosofia consistiria assim numa busca perpétua do questionamento que, em vez de ver o mundo como uma certeza, o vê antes como uma interrogação. Através do seu gosto por paradoxos, do seu constante questionamento dos preconceitos, a filosofia é um convite para pensar o mundo em toda a sua riqueza e complexidade".
Audrey Azoulay lembra ainda que: "Esta habilidade para o assombro remonta a uma tradição milenar, que surgiu há mais de 3 mil anos na China, no Médio Oriente e na Grécia Antiga; mas, apesar do seu carácter ancestral, o questionamento filosófico em nada perdeu a sua actualidade." Assim: "Num momento em que o extremismo e a rapidez das grandes transformações do mundo por vezes nos confundem, a Filosofia é extremamente útil. Permite-nos distanciarmo-nos e, simultaneamente, vermos mais além, observarmos o horizonte sem perdermos de vista o presente.

A revolução da inteligência artificial, em particular, é um terreno propício ao questionamento filosófico. Como conciliar tecnologia e humanidade? Como garantir uma ética da ciência? Estes questionamentos, tradicionais no domínio da filosofia ética ou científica, estão a encontrar um novo eco neste início do século XXI."
"A Filosofia é uma ferramenta valiosa para reflectirmos sobre a mudança; é também uma abordagem que promove o diálogo e a tolerância. Ler as obras de Chuang-Tzu, o pai do Taoismo, Nagarjuna, o virtuoso dialéctico do Budismo, Avicena, o médico e filósofo, Moisés Maimónides, o filósofo Talmudista, ou Hannah Arendt e Simone Weil, é tomar consciência da universalidade dos seus questionamentos e envolver-se num exercício propício à abertura, à tolerância e in fine à paz entre os povos."
"Por todos estes motivos, a UNESCO sempre alentou a Filosofia. A UNESCO é uma instituição que põe em prática um projecto filosófico – a Filosofia dos direitos humanos que foi a de Emmanuel Kant ou de Bernadin de Saint-Pierre. De certa forma, pode dizer-se que a UNESCO, cujo mandato reflecte a vocação universal da filosofia, é ela própria uma Filosofia."
"Neste Dia Mundial da Filosofia, a UNESCO convida-vos também a experimentar este assombro pelo mundo e pelo ambiente, a desmascarar os dogmas e os preconceitos, em suma, a descobrir a universalidade da condição humana", conclui a directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.

João Godim
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