Por convenção internacional, neste 8 de Março, comemora-se o "Dia Internacional da Mulher" porque nesta data, no ano de 1857, operárias da indústria têxtil, em Nova Iorque, fizeram uma greve pela igualdade de salários e a redução da jornada de trabalho para dez horas. Nesta situação, as operárias ficaram encerradas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.
Em 1910, numa conferência internacional de mulheres, realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas operárias, assinalar o 8 de Março em defesa dos direitos das mulheres, muitos dos quais ainda estão por cumprir.

Nos dias de hoje, não faltam as notícias sobre as mulheres, mas por via das piores situações, em que aparecem como as principais vítimas da "violência doméstica" e são motivo de constante discriminação ao nível da valorização profissional, entre preconceitos e tabus fora de moda, práticas e crimes que devem ser denunciados, sem apelo nem agravo, a exigir uma urgente educação cívica a todos os níveis da estrutura social.
Apesar de tudo, em vez dos lamentos e das condenações, conforta recordar neste dia mulheres pouco conhecidas ou faladas. Mulheres que, com a sua acção e o seu exemplo, demonstraram a capacidade e a vocação do ser humano para realizar grandes obras a favor de todos, por via do trabalho, da cultura, da política. Neste contexto, lembramos:
- Marie Curie (1867-1934), a cientista polaca responsável pela descoberta da "radioactividade e de novos elementos químicos", e a primeira mulher a receber o Nobel da Química por duas vezes;
- Simone Weil (1909-1943), a filósofa francesa, de origem judaica, que lutou pela dignidade dos trabalhadores no decurso da II Guerra Mundial e contra a ocupação de França pelas forças nazis, e é autora de livros de referência para o pensamento ocidental, com particulares reflexões místicas;

- Hannah Arendt (1906-1975), a filósofa política alemã, também de origem judia, cuja obra influenciou bastante o decurso do século XX em termos de responsabilização e busca da verdade em redor dos detentores do poder;
- Domitila de Carvalho (1871-1966) médica, professora, escritora e política, a primeira mulher portuguesa a frequentar a Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Matemática, Filosofia e Medicina, e uma das primeiras três deputadas eleitas em Portugal ao integrar em 1934 a lista dos deputados escolhidos pela União Nacional para a I Legislatura da Assembleia Nacional;
- Carolina Beatriz Ângelo (1878-1911), a primeira mulher a votar em Portugal, por ocasião das eleições da Assembleia Constituinte, em 1911;
- Brites de Almeida (1350), figura lendária, a nossa Padeira de Aljubarrota, considerada uma heroína na Batalha de Aljubarrota, ficou conhecida por ter morto 7 castelhanos que estavam escondidos num forno de pão, apenas com a sua pá;
- Beatriz Costa (1907-1996), actriz e ícone da cultura popular, protagonista nos filmes “A Canção de Lisboa”, a “Aldeia da Roupa Branca”, entre outros; nas suas inúmeras viagens pelo mundo conheceu importantes personalidades como Salvador Dali, Greta Garbo e Edith Piaf; amiga de Jorge Amado, escreveu memórias da sua "vida fabulosa" que ainda hoje nos encantam;

Maria de Lourdes Pintasilgo (1930-2004) foi a única mulher que desempenhou o cargo de primeira-ministra em Portugal, tendo chefiado o V Governo Constitucional , em funções de julho de 1979 a janeiro de 1980.
- Gabriela Llansol (1931-2008), escritora portuguesa de ascendência espanhola, licenciada em Direito e em Ciências Pedagógicas, trabalhou em sectores relacionadas com problemas educacionais; autora de uma escrita hermética, as suas reflexões promovem uma consciência profunda sobre o ser, a pessoa e a humanidade.
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João Godim
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