“Aqueles que morreram em defesa da Pátria” foram lembrados, esta manhã, na cerimónia do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, em Lamego. Uma frase lembrança que se repete todos os anos e que acaba sempre por ser fútil e incoerente. Ninguém morre em defesa da Pátria e os que morreram na guerra foram abatidos à falsa fé, assassinados e alvos de emboscadas e ataques mortais infligidas pelo inimigo. Na guerra não há Pátria, não há fantasias nem suposições, há morte, matar ou ser morto. O inimigo quer nos abater e nós queremos abater o inimigo. Tão cruel quanto isto. Se não matamos, morremos.

“Morrer em defesa da Pátria” faz parte de uma imagem patriótica e propagandista dos estados imperialistas, séculos antes da nossa era, onde o povo era levado para o campo da guerra em nome da Pátria para defender poderes imperiais e de ostentosas monarquias. Ouvir neste Dia de Portugal (que devem ser todos os dias) lembranças à “defesa da Pátria”, causa-nos zombaria pelo que é e deve ser a Pátria no seu todo. A defesa da Pátria nunca deve ser feita em nome da morte de jovens militares, como aconteceu em África, para depois os governos darem ao inimigo a Pátria de todos nós. É tempo de se acabar com estas sórdidas demagogias.

João Godim
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